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Palestra do Primaz na Grande Cerimônia de Outubro de 2007 da Sede Missionária
A Grande Cerimônia que celebramos no dia de hoje, pudemos realizar neste dia permitido ao Dendotyo do Brasil de acordo com a razão da Grande Cerimônia de Outono, realizado todos os anos em Jiba, em comemoração à revelação de Deus-Parens ao mundo pela primeira vez, com o estabelecimento de Oyassama como seu Sacrário, em 26 de outubro de 1838.
Especialmente, este é o significativo ano dos 170 Anos da Revelação Divina.
No início do capítulo I, da Doutrina de Tenrikyo, temos:
"‘Eu sou o Deus original, o Deus verdadeiro. Nesta casa há uma predestinação. Desta vez, revelei-me neste mundo para salvar toda a humanidade. Desejo ter Miki como meu Sacrário.'
Estas foram as palavras que Deus-Parens, Tenri-Ô-no-Mikoto, proferiu pela primeira vez através da senhora Miki Nakayama, conhecida como Oyassama, ou seja, Nossa Mãe.
Os familiares de Miki, muito surpreendidos com essa inesperada revelação, recusaram repetidas vezes o pedido divino alegando todo pretexto possível.
Contudo, mantendo-se solenemente inflexível, Deus-Parens não cedeu um passo sequer e, por fim, eles concordaram em obedecer-lhe desalojando de sua mente todas as cogitações humanas e renunciando a todas as conveniências da própria família.
Isso aconteceu em 26 de outubro de 1838, data que marca o início da Tenrikyo."
Posteriormente, Oyassama ensinou que o tempo, "por volta das 8 horas do dia 26 de outubro de 1838", é a chegada do dia prometido por Deus-Parens na ocasião da criação original dos seres humanos, quando se comprometeu com os instrumentos, de que os trariam de volta para "serem reverenciados pela posterioridade como Deus, quando passassem tantos anos quanto o número de filhos dados à luz". Deus-Parens estabeleceu Oyassama como seu Sacrário porque ela possui a alma de Izanami-no-Mikoto que desempenhou a função de protótipo de mulher na criação dos seres humanos. Ainda, Deus-Parens se revelou na família Nakayama, na vila de Shoyashiki, distrito de Yamabe, em Yamato, porque no interior dessa residência se encontrava o local da criação dos seres humanos. Nós nos referimos sobre estes pontos como: "Predestinação da alma de Oyassama", "Predestinação da residência", e "razão do tempo predeterminado". Foi-nos ensinado como as três predestinações da revelação divina.
Devemos refletir profundamente sobre a verdadeira intenção de Deus-Parens ter se revelado ao mundo para salvar toda humanidade e nos comprometer em dedicar com espírito renovado e animado na concretização de sua intenção. Desta maneira, penso que aprofundaremos o significado da Grande Cerimônia do dia de hoje.
Hoje, gostaria de refletir sobre a caminhada do Segundo Shimbashira-sama, que retornou em 14 de novembro de 1967, aos 63 anos de idade e que, neste ano, irá completar 40 anos do seu retornamento. Porém, não é possível narrar em poucos minutos as suas grandes realizações no Caminho como na sociedade; no entanto, tentarei narrar à minha maneira e, gostaria que, tornasse num guia da nossa caminhada futura.
O Segundo Shimbashira-sama, Shozen Nakayama, nasceu em 23 de abril de 1905, como primeiro filho de Shinnosuke Nakayama (neto de Oyassama pela parte da mãe) e Tamae (neta pela parte do pai), na atual cidade de Tenri, bairro de Mishima. No livro "Vida Plena de Alegria e Felicidade", que ele mesmo escreveu em 1958, está registrado o seguinte: "No dia 23, desde o amanhecer, podemos supor que havia muitas pessoas que vieram fazer a visita pelo meu nascimento. Comentam que nesse dia, o ancião Iburi, se referindo ao Honseki, logo depois do meu nascimento, veio me dirigir as palavras com seguinte significado: "Por longo tempo fiquei sem vê-lo. Prazer em encontrá-lo depois de tanto tempo." As pessoas dessa época, estavam crendo que Shuji havia renascido.
No dia 31 de dezembro de 1914, retornou o Primeiro Shimbashira-sama e, no ano seguinte, no dia 21 de janeiro, aos 11 anos de idade, tomou posse como Kantyo, já que nessa época não se referia como Shimbashira. Porém, pela pouca idade, o diretor da Sede da Igreja, Tamezo Yamazawa, no cargo de regente, representou os trabalhos de Kantyo. No dia 27 de outubro de 1924, tomou posse como presidente da Associação dos Moços, no ano seguinte, no dia do seu aniversário, 23 de abril, quando completou 20 anos, foi realizada a Cerimônia de Posse do Kantyo. Apesar de estar estudando na Universidade de Tokyo, sua reputação estava à altura para tomar a posse como Kantyo.
Antes disto, almejando o projeto grandioso para o desenvolvimento futuro da nossa comunidade religiosa, neste mesmo ano, fundou a Escola de Língua Estrangeira de Tenri para educar os missionários para fazerem o missionamento no exterior, também a Biblioteca de Tenri e, pessoalmente, tomou posse como diretor do Seminário de Tenri e da Escola de Língua Estrangeira de Tenri. Em relação à educação escolar, almejando a educação integral em Oyasato, desde o jardim da infância à universidade, foi fundando gradualmente as escolas. Em 18 de outubro de 1928, casou com Setsu Yamazawa, mas doou todo dinheiro que ganhou de presente das pessoas para o fundo da bolsa de estudo para os filhos dos seguidores e fundou a Associação Itiretsukai da Tenrikyo. Também, abriu a gráfica Kyotyo em 1925 para impulsionar a impressão dos textos doutrinários e o missionamento impresso. Em 1930, começou a adquirir documentos e objetos da vida de diversos povos para que os estudantes não ficassem apenas na aprendizagem da língua e pudessem dominar amplamente o costume, a cultura, a fé e outros aspectos dos países para fazerem o missionamento no exterior. É o início do futuro Museu Tenri Sankokan.
Ainda, por iniciativa própria, foi fazer visitas de doutrinação no exterior e se dedicou para inspecionar a situação atual e orientar. Foi para o exterior pela primeira vez em 1926, onde fez a visita de inspeção na China continental e península coreana. Antes da II Guerra Mundial, até o ano de 1945, em sua maior parte, fez as visitas de doutrinação na China, Manchúria, Taiwan e Coréia, por mais de 10 vezes. Além dessa região, em 1933, foi participar da Convenção das Religiões do Mundo nos Estados Unidos, de navio, e fez a visita de doutrinação no Havaí e nos Estados Unidos. Depois de 1945, foi oito vezes ao exterior e, em 1951, fez a visita de doutrinação na Cerimônia de Fundação do Dendotyo do Brasil, em sua primeira visita após a II Guerra Mundial. Nessa oportunidade, durante 81dias, esteve fazendo a visita de doutrinação na América do Sul, do Norte e na Europa. Não temos a confirmação de quantos países ele visitou durante a vida, mas na última visita de doutrinação em 1966, visitou Nepal, África, Chile, Havaí e fez duas visitas na República do Congo, no continente africano, e construiu pessoalmente a base da Igreja Congo Brazaville. Nessa época, poucos japoneses viajavam ao exterior e por isso desconheciam as situações externas. Porém, logo depois da visita de doutrinação no exterior, apesar de estar atarefado, deixava documentado sem falta a viagem, e assim dedicou-se amplamente para instruir as pessoas do nosso Caminho.
De outro lado, para transmitir corretamente o ensinamento de Oyassama, adiantou pessoalmente e com todo vigor os cursos dos textos originais, de doutrina e para os mestres. Depois da Cerimônia de 40 Anos do Ocultamento Físico de Oyassama, distribuiu a Escritura Divina e as Indicações Divinas, que era o desejo do Primeiro Shimbashira-sama. Anunciou a construção do Santuário de Oyassama e do Recinto de Reverência Sul cinco anos antes dos 50 Anos do Ocultamento Físico de Oyassama, adiantando gradualmente as construções de grandes envergaduras. Nos 50 Anos do Ocultamento Físico de Oyassama, na área sagrada construída, foi edificado o modelo do Kanrodai na Jiba original e, restaurando as máscaras de Kagura e todos os nove instrumentos, foi realizado o Serviço de Kanrodai conforme foi ensinado pela Oyassama.
Porém, a alegria foi passageira. Em 1937, começou a guerra sino-japonesa, o Japão foi sendo militarizado e acrescentaram ainda as intervenções, os controles e as opressões das autoridades governamentais. Uma parte dos Hinos Sagrados foi proibida, o Serviço de Kagura também foi proibido de se realizar, e os três textos originais (Escritura Divina, Hinos Sagrados e Indicações Divinas), que haviam sido distribuídos às igrejas, tiveram que ser recolhidos à Sede da Igreja. Esse período obscuro continuou até o ano de 1945. No dia 15 de agosto desse ano, terminou a II Guerra Mundial. Com a chegada da época para retomar o ensinamento de Oyassama, o Segundo Shimbashira-sama começou imediatamente a restauração e, na Grande Cerimônia de Outubro desse ano, foram realizados o Serviço de Kagura e os Dozes Hinos da Dança Sagrada. No ano seguinte, nos 60 Anos do Ocultamento Físico de Oyassama, foi entregue primeiramente os Hinos Sagrados a todas as igrejas. Em 1949, foi publicada a nova Doutrina de Tenrikyo. Em seguida, nos 70 Anos do Ocultamento Físico de Oyassama, depois de 60 anos de estudos minuciosos, foi publicada a Minuta da Vida de Oyassama e entregue a Escritura Divina a todas as igrejas. E nos 80 Anos de Ocultamento Físico de Oyassama, foram entregues todos os volumes das Indicações Divinas a todas as igrejas. Os estudos dos textos originais, principalmente da Escritura Divina, feitos pelo Segundo Shimbashira-sama, são realmente excelentes, como os livros "Sobre Deus, Tsukihi e Parens", "O amor parental manifestado na Escritura Divina", "Explicação Geral da Escritura Divina" e muitas outras obras. Esclareceu diversos problemas importantes relacionados à doutrina da Tenrikyo e à história da igreja e estabeleceu a base firme da doutrina. Os méritos de suas realizações são realmente imensos.
Ainda, em face dos 70 Anos do Ocultamento Físico de Oyassama, como primeiro passo para concretizar o ideal de quatro lados de 800 metros na área sagrada, foi iniciada a construção dos prédios do Oyasato-Yakata e concluídas cinco asas do lado leste. E estas asas estão sendo utilizadas pelo centro de pesquisa e estudos da doutrina e história, como local da Preleção do Besseki, do Shuyokai e do Seminário Senshuka. Nos 80 Anos do Ocultamento Fisco de Oyassama, foram construídas na asa sul as instalações de educação escolar e na asa oeste, como estabelecimento médico, entrou o Hospital Ikoi-no-Iê (Tenri Yorozu Sodansho). Depois disso, o Oyasato-Yakata veio sendo construído gradualmente nos quatro lados e, quando ficar completo, serão 68 asas. Atualmente, estão concluídas 26 asas. O projeto da construção do Oyasato-Yakata, do Segundo Shimbashira-sama é de acordo com a explanação de Nossa-Mãe, que está registrada nos Episódios da Vida de Oyassama:
"Certa ocasião, Oyassama que observava pela janela sul da casa-portão a paisagem composta de bambuzais e arrozais, disse dirigindo-se às pessoas que estavam próximas:
Não demorará muito, toda esta redondeza será preenchida de casas. Nos 28 quilômetros entre Nara e Hasse as casas serão continuas. Nos quatro lados de quatro quilômetros de cada lado ficará cheio de hospedaria e a parte interna da Residência será de quatro lados de 800 metros."
O Segundo Shimbashira-sama, como religioso reconhecido no mundo e estudioso, instruiu com grandes projetos, esforçou-se pessoalmente no trabalho, amou o seu trabalho e se redobrou nas pesquisas. Também, gostava de esportes, praticou pessoalmente o judô, tinha familiaridade com rúgbi, natação e outros esportes, incentivou a prática do esporte para ter a gratidão pelo corpo emprestado por Deus-Parens e explicou sempre para caminhar valorizando a virtude que cada um recebeu de Deus-Parens. Desde 1949 até 1967, durante 18 anos, nas atividades externas das entidades esportivas, culturais, científicas e artísticas, assistencialista médicas e sociais e outros, foi presidente e também presidente do conselho de administração de nove entidades, administrador, diretor e conselheiro de 15 entidades, ainda, foi assessor em quatro entidades. Em todos os cargos, foi indicado para assumir e contribuiu imensamente para a sociedade.
Durante a vida inteira, como apreciador de livros, buscou livros preciosos no exterior, participou das reuniões internacionais de ciências e artes e apresentou pessoalmente suas pesquisas, aprofundando o relacionamento íntimo com muitos estudiosos do Japão e do exterior e, como patrono do mundo esportivo, formalizou intercâmbio com muitos esportistas. Nos últimos anos, como intelectual internacional, prosseguiu amplamente as suas atividades, buscou voluntariamente solucionar os problemas particulares das pessoas e ajudar com seus conselhos. Era uma pessoa generosa, de ampla magnanimidade e de profunda e esmerada consideração. Foi estimado por um grande número de pessoas e inspirou respeito.
Depois do seu retornamento, na edição da revista Mitinotomo de fevereiro 1968, em memória ao Segundo Shimbashira, foram publicadas as recordações de 60 pessoas do Caminho e da sociedade. Vou apresentar uma parte das recordações de sete pessoas na ordem que foi escrito.
Primeiramente, o irmão mais novo do imperador da era Showa, a alteza Takahito Mikasanomiya, escreveu: "O meu relacionamento com o Segundo Shimbashira começou depois da II Guerra Mundial, mas o período foi bem longo. Ele dedicou muitos esforços para promover o esporte japonês. Nas Olimpíadas de Tokyo, a grande questão era se o judô seria incluído ou não nos jogos. Para ver concretizado o grande desejo do judô japonês, o segundo Shimbashira foi pessoalmente a Roma, encontrou-se com o presidente Brundage do Comitê Olímpico Internacional e dedicou os esforços na difícil negociação nos bastidores com os diretores do Comitê de vários países. Por fim, o judô foi incluído nos jogos de Tokyo e podemos dizer que os esforços de Segundo Shimbashira foram reconhecidos. Também, em relação à promoção das ciências e artes, a devoção dele foi imensa. São inumeráveis os auxílios materiais e espirituais que ele concedeu à Sociedade Japonesa das Religiões, à Sociedade Japonesa do Oriente, à Sociedade Coreana e às outras diversas entidades científicas e artísticas. Ao mesmo tempo em que era um grande japonês, era excepcional homem internacional."
O escritor Tatsuzo Ishikawa, narrou que: "Nunca vi nele a imagem arrogante de Shimbashira de uma grande entidade. Podemos dizer que ele era comum, popular, que se relacionava com diversas pessoas com postura despreocupada."
O catedrático da Universidade Dokkyo, Kiyoto Furuno, comentou que: "Ele era pacifista e não gostava de guerra. Tinha um aspecto racional, não gostava de injustiça e não perdoava a postura falsa e ambígua. Era excelente instrutor religioso. Se chegar, por acaso, os dias de dificuldades nesta grande entidade, desejo dizer para que as pessoas mirem na nobre conduta do grande dirigente."
O proprietário da livraria Koubunsho, Shigueo Sorimati, escreveu: "Durante 40 anos, sem nenhuma interrupção, ele comprou os meus livros antigos, também adquiriu de todas as partes do Japão. Os livros de Tenri são os primeiros do Japão em abrangência, qualidade e preciosidade. Isto é muito difícil porque no Japão são muitos os livros antigos, a começar dos da família imperial, Konoe, Kujyo, Takatsukasa, ainda os preciosos livros da família ilustre de Kugue, Tokugawa, Shimazu, Date, também das inúmeras famílias dos Daimyo e das famílias antigas de todo o Japão. Ao compararmos com o acervo de outras bibliotecas como também com o das bibliotecas das organizações públicas e das universidades particulares, sem nenhum exagero, podemos dizer que é o primeiro do Japão e foi extremamente difícil. Creio que, desde que começou a história do Japão, não há uma pessoa que tenha colecionado tantos livros valiosos e excelentes coleções num período tão curto, em menos de 50 anos. Foi o primeiro colecionador de livros do Japão."
O comentarista, Yojyuro Yasuda, narrou que: "Com relação à contribuição à civilização e à cultura, que influenciaram as pessoas externas da organização religiosa, a sua grande existência extrapolou épocas modernas. Tanto a biblioteca como o Museu Sankokan, não se consegue concretizar nem com a força de um país inteiro. As pessoas que tinham relacionamento próximo, naturalmente, achavam que era uma pessoa de profunda afeição e espírito amplo, mas nestes 300 a 400 anos da história do Japão, entre poucas grandes personalidades, ele foi um deles. De ele ter nascido como Shimbashira, com certeza, penso que não foi para a felicidade dele, mas para a felicidade do Japão."
O dirigente máximo, kantyo, do templo Tyuson e escritor, Toukou Kon, escreveu que: "Entre os dirigentes máximos das organizações religiosas do Japão inteiro, entre os kantyo, declararam que a personalidade máxima era Shozen Nakayama. Não havia ninguém que pudesse ser comparado com a sua personalidade, o seu conhecimento científico, o seu conhecimento cultural, a sua condição física e a sua fé."
O presidente de honra da Federação Japonesa de Natação, Masaharu Tabata, comentou que: "Para mover a força motriz da reconstrução da natação japonesa, o segundo Shimbashira me injetou o combustível. Ele é um grande benfeitor da natação japonesa. No ano seguinte da primeira olimpíada pós-guerra, que foi realizada em Londres, deixou Furuhashi e outras nadadoras participarem do Campeonato de Natação das América que foi realizado em Los Angeles, bateram mais de 10 recordes mundiais e surpreenderam o mundo esportivo de todos os países. A começar do Comitê Olímpico Japonês, exceto a Federação Japonesa de Natação, quando todas as outras entidades esportivas do Japão tinham sido expulsas do Comitê Olímpico Internacional e das federações internacionais, ele conseguiu cancelar. Possibilitou participar das Olimpíadas de Helsinque e abriu o caminho para realizar os jogos de Tokyo. Também, demonstrava que a pátria japonesa estava sólida, fez os descendentes da América do Norte, Central e Sul saltarem de alegria. Ainda, no âmbito nacional, para a população que havia perdido totalmente a confiança, o amor à sua pátria e caído na desesperança, semeou imensa luz e concedeu esperança na reconstrução da pátria. Se eu não tivesse conhecido o Shimbashira e as atividades da Federação Japonesa de Natação estivessem atrasadas, provavelmente, seria impossível obter esses resultados."
Depois de 20 anos dessa época, quando a natação japonesa decaiu, Tabata veio consultar o Segundo Shimbashira-sama sobre a construção do Centro de Natação de Tokyo para criar novos nadadores. Foi oferecido o terreno da Tenrikyo em Somei, Tokyo e, depois da inauguração da piscina, o Segundo Shimbashira-sama veio a retornar. Porém, posteriormente, o Centro de Natação de Tokyo tem desempenhado imensa função na formação de recursos humanos. O medalhista de ouro da natação das Olimpíadas de Atenas, Kohei Kitajima, foi criado nesta piscina. Também, o lutador de judô, Tadahiro Nomura, categoria 60 quilos, é o primeiro lutador da historia de judô que conquistou três vezes seguidos o ouro. Ele foi criado em Jiba desde o ginásio até a universidade e é yoboku. As sementes plantadas pelo Segundo Shimbashira-sama, passados 30, 40 anos, floresceram magnificamente.
Em seguida, vou falar de mim. Eu me formei na Universidade de Tenri no mês de março de 1967 e, a partir do dia 1° de abril, comecei a servir na Sede da Igreja como jovem aprendiz. O meu primeiro setor de trabalho foi na varanda da residência do Shimbashira. No dia 14 de novembro desse ano, o Segundo Shimbashira-sama veio a retornar e o período foi curto, mas tenho algumas recordações dele.
Na noite anterior do retornamento do Segundo Shimbashira-sama, até por volta das 23 horas, ele estava se encontrando com visita do exterior. Quando estava na residência, todos os dias, recebia muitas visitas. Os moços encarregados da varanda faziam todos os dias a limpeza e outros diversos trabalhos, recebiam as visitas na varanda, conduziam para uma das salas, perguntavam o nome e entregavam o recado ao Segundo Shimbashira-sama que se encontrava com a visita, falando que, "tal pessoa está aguardando em tal sala" ou informava na residência por telefone. Também, jantava muitas vezes com os esportistas e visitas do exterior. Fazíamos os preparativos desse local, íamos buscar os pratos na cozinha da Sede da Igreja, quando as visitas iam embora fazíamos a limpeza do local, levávamos de carro as senhoras que estavam ajudando nas suas casas e quando terminavam tudo já se passava da meia noite. Como os encarregados da varanda eram três, todos os dias eram bem atarefados.
Não me lembro mais em que área atuava o visitante que estava se encontrando com ele na sala do fundo, mas como tocou a campainha do escritório, fui até a sala e me pediu: "Traga-me logo um pincel e a tinta." Se não correspondesse prontamente ao pedido de Shimbashira-sama, levávamos bronca. Como havia um pouco de tinta no estojo de pedra, acrescentei mais um pouco de água, esfreguei a pedra de tinta durante três minutos e levei correndo. Porém, me perguntou: "Já está pronto? A tinta está forte?" No imprevisto, respondi: "Sim, acho que está mais ou menos forte." Logo caiu um raio. "O que é mais ou menos forte? Não diga coisa ambígua. Está forte ou fraco?" Como insistiu, respondi que: "Sim, está forte." E comentou: "Então, está bom." Retomou o bom humor e disse: "Quando alguém lhe pedir para fazer algum trabalho, não dê resposta ambígua." Nem que fosse na presença de um visitante, instruía dando broncas severas.
Como comentei sobre a bronca que levei, gostaria de falar do oposto, de um fato que me contentou. Creio que, foi no mês de setembro. Como começou a sentir dor nas cadeiras e tinha dificuldade até para andar, não tive nem tempo para preparar uma cadeira de rodas, peguei um carrinho de ferro que usávamos para carregar os objetos, que nós, os moços, chamamos de carrinho goro-goro, coloquei duas almofadas para ele sentar e levei pelo corredor da varanda até a residência dele. Ele tinha costume de chamar os moços de "oi", "oi", mas, certo dia, quando ele ia fazer a reverência no Recinto de Reverência, como não podia empurrar o carrinho goro-goro pelos corredores, ia empurrando pelo térreo, de repente, disse-me: "Murata, muito obrigado pelo seu esforço diário." Ao pensar que ele tinha aprendido o meu nome, apesar de ter entrado há pouco tempo na Sede da Igreja e ser ainda inexperiente, fiquei assustado e ao mesmo tempo muito contente. O ato de receber as palavras do pai animava imensamente o espírito dos moços para dedicar os dias de poucas mudanças.
Anteriormente, narrei as realizações do Segundo Shimbashira-sama de acordo com os anos, porém, no Décimo Ano do seu Retornamento, foi publicado o livro "A Vida Plena de Alegria e Felicidade" que foi escrito por ele e no prefácio deste livro o Zen-Shimbashira-sama escreveu sobre o seu pai. Apesar de ser um texto curto, expressou todo o seu pensamento e, mais uma vez, vou ler uma parte.
"Na vida do meu pai, devemos mencionar especialmente a consolidação da base da doutrina e a publicação. Ou seja, conseguiu reunir precisamente a essência do ensinamento.
Desde o começo ao fim, buscou meios para transmitir ampla e longamente o caminho de Oyassama para as próximas gerações. Para isso, no regime do período de guerra, mesmo passando pelo caminho das leis, seguiu preservando a base da doutrina e o Caminho de Oyassama.
Na sua caminhada, quando ia fazer alguma coisa, o elemento para o seu julgamento era a Escritura Divina, os Hinos Sagrados e as Indicações Divinas. Também, nem é preciso citar que buscou corresponder à vida modelo de Oyassama.
Fundou a gráfica para imprimir os Textos Originais, fundou a escola para missionar e transmitir o caminho do ensinamento e fundou a biblioteca e o Museu Sankokan para possibilitar melhor aprendizagem. Também, incentivou o esporte como um meio para manter a saúde no dia-a-dia e fundou a casa para se recuperar o corpo adoecido. Ainda, ampliou as ocasiões para explanar porque temos no espírito humano a vida plena de alegria, e buscou profundamente consolidar os documentos doutrinários, não só para agora ou daqui em diante, mas para todas as gerações futuras. E para poder contentar a Oyassama, começou a construir, conforme foi ensinado, o local da vida plena de alegria em Oyasato, na Terra Parental. Começou os estudos da música e das artes para a concretização do Serviço Sagrado. As diversas atividades culturais, educativas e religiosas que meu pai começou, todas foram feitas objetivando a felicidade de grande número de pessoas como instrumentos e procedimentos na caminhada da vida plena de alegria."
Por fim, vou tocar um pouco com relação ao Brasil. O que levou a formar a caravana de regresso a Jiba para os 50 Anos do Ocultamento Físico de Oyassama, em 1936, e, no ano seguinte, para o Centenário da Revelação Divina, foi a mensagem que o Segundo Shimbashira-sama enviou aos seguidores da América do Sul através de Takahito Iwai. Nesta dupla cerimônia nasceram nove igrejas e se concretizou a base do missionamento no Brasil. Também, depois da II Guerra Mundial, quando era muito difícil os japoneses conseguirem viajar ao exterior, em 1951, veio logo fazer a visita de doutrinação ao Brasil, fundou o Dendotyo, centro da Tenrikyo do Brasil, presenciou a Cerimônia de Inauguração e, apesar do meio de transporte precário da época, fez minunciosa visita de doutrinação nas igrejas do Brasil e transmitiu o seu amor paterno. Em seguida, três anos depois, veio fazer a visita de doutrinação acompanhado pela presidente da Associação Feminina, Reva. Oai Nakayama, e pelo presidente da Associação dos Moços, Rev. Zenye Nakayama. Presenciou a Cerimônia de Formação da Associação Feminina e dos Moços e a abertura do Centro Cultural Japonês. A última visita de doutrinação foi no ano de 1963, já que não pôde vir na Cerimônia de Inauguração do Recinto de Reverência do Dendotyo, no ano anterior. Com seu amor paterno, veio manifestar o agradecimento pelos esforços dedicados na concretização da construção do Recinto de Reverência e instruiu detalhadamente os pontos principais das atividades em face dos 80 Anos do Ocultamento Físico de Oyassama.
Podemos dizer sem nenhum exagero que o Caminho do Brasil foi orientado e criado pelo amor paterno do Segundo Shimbashira-sama.
Nos últimos anos, instruiu os yobokus do Caminho para passarem com três princípios da fé: "disposição espiritual de dedicar unicamente a Deus", "atitude de hinokishin" e "harmonia da unidade de espírito". E, como instrumento de Oyassama, com o lema: "alegria da dedicação única à salvação". Nós que estamos passando pelo caminho da dedicação única à salvação, devemos caminhar no dia-a-dia refletindo as coisas de acordo com a "disposição espiritual de dedicar unicamente a Deus", ou seja, fazer os julgamentos conforme o ensinamento de Oyassama. Na "atitude de hinokishin", as pessoas do Caminho devem manifestar em qualquer coisa com disposição espiritual e atitude de hinokishin. E na "harmonia da unidade de espírito", é muito importante passarmos tendo no coração que as atividades do Caminho são realizadas com a salvação mútua da família, da irmandade, da casa de divulgação e da igreja, com todas as coisas em unidade com o ensinamento de Oyassama.
Nos mês que vem, completará 40 anos de retornamento do Segundo Shimbashira-sama. Assim, vamos nos dedicar com todo vigor e animação para podermos contentar e tranqüilizar a sua alma.
Muito obrigado pela atenção.
Assim, encerro a Grande Cerimônia do dia de hoje.
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