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IGREJA TENRIKYO

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Palestra Primaz_jan/2008
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Escrito por Primaz Murata   

Hoje, na Grande Cerimônia de Janeiro da Sede Missionária, contando com muitas pessoas vindo reverenciar do Brasil e de diversos países das Américas Central e do Sul, pudemos celebrar o Serviço neste instante, de forma magnífica.

Expresso os meus sinceros agradecimentos pela fervorosa dedicação às missões do Caminho durante o ano que passou, cada qual em suas posições. Ainda, agradeço do fundo do coração pela dedicação sincera à Sede Missionária. Novamente neste ano, desejo empenhar-me juntamente com todos na missão da dedicação única à salvação, com saúde e ânimo, e conto com o esforço de todos.

A partir de agora, farei a palestra da cerimônia mensal e, apesar de acreditar que estejam cansados, solicito a atenção por alguns instantes.

Sobre a Grande Cerimônia que pudemos celebrar hoje, ela foi realizada pois o dia 26 de janeiro de 1887 foi a inesquecível data em que Oyassama ocultou seu corpo deste mundo. E, em Jiba, todos os anos, no dia 26 de janeiro, é celebrada a Grande Cerimônia da Primavera. Recebendo essa razão, na Sede Missionária também acabamos de celebrar a Grande Cerimônia de Janeiro.

Relembrar que Oyassama ocultou-se fisicamente desejando a maturidade espiritual da humanidade, seus filhos, e apressando a salvação de todo o mundo; além de prometer caminhar rumo à maturidade correspondendo ao seu amor parental. Penso que estas devem ser as nossas posturas espirituais na celebração da Grande Cerimônia de Janeiro.

O que penso todas as vezes que celebro a Grande Cerimônia de Janeiro é sobre Oyassama ter apressado o Serviço Tsutome, tomando seu próprio corpo como base; e sobre ela ter dito que, pelo profundo amor aos filhos, começaria a entregar amplamente a razão do Sazuke, que até então não pôde conceder, e passaria a salvar percorrendo todo o mundo.

Realizar em união espiritual o Serviço Tsutome ensinado pela Oyassama. Para os yoboku, que receberam a concessão da Razão do Sazuke, ministrar com sinceridade a razão da proteção de Oyassama. Neste dia, prometemos a prática destes dois pontos a Oyassama.

A Oyassama, no entardecer de 49 dias antes de ocultar-se fisicamente, quando saía do banho, cambaleou subitamente. Os mestres que estavam por perto ficaram preocupados; mas, nesse dia, não houve nenhuma anormalidade. Porém, três dias depois, como a sua saúde tornou-se crítica repentinamente, consultaram a intenção divina por intermédio do mestre Izo Iburi.

"Já está cheio e premido suficientemente. Até este momento, tenho-lhes informado a respeito de todas as coisas, mas não as têm compreendido clara e completamente. Embora Eu explique tanto, não há quem compreenda. Isto é o meu pesar. Estão vivendo desconfiados, mas reflitam bem a respeito. Se o que Deus lhes diz é falso, este caminho não teria continuado desde 49 anos antes até o presente. O que disse até agora tem sido realizado. Reflitam sobre isto. Devo retirar-me já, nessa condição? Devo ocultar-me?"

Houve estas palavras e Oyassama deixou de respirar. Rapidamente, seu corpo foi ficando frio.

Foi explicado que, até agora, Oyassama veio transmitindo e explicando sobre todas as coisas; porém, vocês vieram pensando com a cogitação humana comum da sociedade, e têm vivido desconfiando das palavras dela. E isto é um pesar. Se o que Deus-Parens diz é mentira, não haveria como este Caminho ter continuado desde 1838, por 49 anos. Se todos não conseguirem compreender, devido à demasiada morosidade para a maturidade espiritual, Oyassama poderá dar o seu último suspiro nestas condições. Com estas palavras, todos ficaram extremamente assustados e, percebendo que era um erro ficar suspendendo a execução do Serviço Tsutome há muito apressado, por mais que fosse pela opressão das autoridades, a partir do dia seguinte, diariamente, executaram o Serviço de desculpas secretamente, no meio da noite, com as portas fechadas.

Deus-Parens aceitou a sinceridade dos mestres e o estado da Oyassama apresentou uma pequena melhora. Os mestres avisaram as principais pessoas e, reunindo-as, debateram repetidamente por vários dias e várias noites. Como resultado desta deliberação, Shinnossuke, por volta das 3 horas da madrugada de oito dias depois, dirigiu-se à cabeceira de Oyassama e consultou diretamente a sua orientação. Essa consulta foi composta de 13 perguntas e repostas e Oyassama ensinou detalhadamente sobre a maneira como nós, seguidores do Caminho, devemos caminhar por todas as gerações.

A Oyassama orientou claramente sobre a preocupação dos mestres da época, que estavam pressionados com as leis de um lado e o ensinamento de Deus-Parens, do outro:

"Por existir o Tsukihi, existe este mundo;por existir o mundo, existe cada uma das coisas; por existir cada uma das coisas, existem os seus corpos; por existirem os seus corpos, existe a lei; embora exista a lei, a determinação espiritual é o mais importante."

Significa que este mundo nasceu pois, antes de tudo, existe Deus-Parens. Após a criação do mundo é que surgiram os países. Neste mundo, vivem as pessoas e, essas pessoas vivem tomando o corpo empresado de Deus-Parens. E o que esses seres humanos criaram para facilitar o convívio, chegando a um mútuo acordo, é que foi a lei. Porém, por mais que se tenha a lei, acatá-la ou não depende do espírito de cada ser humano. O mais importante é o espírito. Assim, ensinou a ordem da origem deste mundo e orientou que o mais importante de tudo é ouvir firmemente o ensinamento de Deus-Parens e determinar a sinceridade que alcance Deus-Parens.

Os mestres que foram orientados em detalhes pela Oyassama, a partir de cinco dias depois, durante um mês, praticando diariamente o sacrifício de banhar-se na água gelada em pleno inverno, executaram o Serviço de Kagura e a Dança das Mãos. Na Vida de Oyassama - Minuta, está registrado que neste período, Oyassama esteve bem disposta e, cinco dias antes de ocultar-se, chegou a andar animada pelo quintal, colocando calçados.

Porém, está registrado na Escritura Ofudessaki, na Parte III escrita a partir de janeiro de 1874, em seu verso 13:

Aos onze, o nove acabará e a angústia será esquecida, e espero o dia vinte e seis do primeiro mês. Of. III-13

Nesse dia prometido, ou seja, na noite anterior ao dia 26 de janeiro, a saúde de Oyassama tornou-se crítica e foi feita a consulta por intermédio do mestre Izo Iburi e, então, tiveram as seguintes palavras:

"Pisando, nivelarei a terra plenamente. Abrindo o portal, abrindo o portal, o nivelamento de todo o mundo. Começarei o nivelamento da terra."

No dia seguinte, Shinnossuke finalmente determinou o espírito e ordenou para que executassem o Serviço somente aqueles com o espírito disposto a sacrificar a própria vida, mesmo que houvesse qualquer intervenção policial durante a sua realização. Até então vinham executando o Serviço secretamente, no meio da noite, com as portas fechadas; porém, neste dia, o Serviço de Kagura e a Dança das Mãos foram executados abertamente, durante o dia, alegre e animadamente, conforme foi ensinado pela Oyassama.

Oyassama ouvia satisfeita o som alegre dos instrumentos; porém, quando se aproximava o final do Hino XII, tomou três goles de água e, como se estivesse dormindo tranqüilamente, ocultou-se fisicamente. Estava com 90 anos de idade. O espanto e o desânimo dos mestres, ao saberem deste fato, ultrapassa a nossa imaginação. "Todos abatidos e desalentados, não tiveram forças nem para proferir uma palavra, apenas choraram tristemente." Assim está registrado na Vida de Oyassama - Minuta. Porém, com o sentimento de que não poderiam continuar lamentando, tristes para sempre, reanimaram-se e, por intermédio do mestre Izo Iburi, consultaram a Indicação Ossashizu. E tiveram as seguintes palavras.

"Fá-lo-ei uma terra nivelada. Todos, todos, estão completos, estão completos? Entendam bem. O que disse até agora deixei-o colocado na caixa da verdade. Porém, eis que Eu, Deus, por causa do meu amor por meus filhos saí abrindo o portal, e encurtando 25 anos da vida que o Parens tinha ainda pela frente, e começo a salvar-lhes a partir de agora. Fique observando bem. Fiquem observando bem o que foi até agora e o que será doravante. ... ... Até agora havia coisas que desejava dar a meus filhos. Porém, não pude dá-las devidamente. Ainda, ainda, doravante, as entregarei gradualmente. Deixem escutado bem."

Significa que, de agora em diante, Deus-Parens fará do mundo uma terra nivelada. Fará do mundo um local de paz, sem altos e baixos. O que Deus disse até agora, conservou-o na caixa da verdade, ou seja, deixou-o colocado dentro do coração de Oyassama; porém, desde que Deus-Parens saiu abrindo o portal, tudo será revelado. "Sair abrindo o portal" quer dizer que a Oyassama, Sacrário de Tsukihi, através do seu ocultamento físico, passaria a trabalhar fora do Sacrário, abrindo o seu portal. Em virtude do seu grandioso amor pelos seres humanos, seus filhos, e pelo desejo de incentivar a maturidade espiritual, encurtou 25 anos da vida que ainda teria pela frente, ocultando o seu corpo. E ainda diz para ficarem observando bem pois a partir de agora, finalmente, percorrerá o mundo para realizar a salvação. Até o presente, havia coisas que Deus queria dar aos filhos, porém, não pôde concedê-las conforme desejava. É a razão da Concessão Sazuke, que passará a ser entregue de agora em diante gradualmente.

A Oyassama concede a razão do Sazuke às pessoas que vêm solicitar de vários locais e, por intermédio de sua ministração, mostra o seu trabalho.

Assim, todas as igrejas, que receberam a sua permissão em Jiba, devem executar o Serviço Tsutome da cerimônia mensal com o número completo de servidores e animadamente. Por outro lado, é nos ensinado que os yoboku, que receberam a razão do Sazuke, são instrumentos de Oyasama. Desta forma, é importante amparar-se completamente no coração de Oyassama e dedicar-se na ministração do Sazuke às pessoas que sofrem com os problemas físicos, com sinceridade. Estes são os dois pontos mais importantes.

Mudando de assunto, no Japão, todos os anos, no mês de dezembro, no Templo Kiyomizu de Kyoto, os sacerdotes escrevem num grande papel o ideograma kanji que reflete a condição social daquele ano. E, no ano passado, foi escolhido o ideograma "gui", da expressão "guizoo", que significa falsificação. O ideograma "gui" tem os significados de falso, mentira, falsidade.

Casos em que as datas de validade dos alimentos foram alteradas e casos em que os locais de origem dos alimentos foram falsificados ocorreram seguidamente no Japão. No Brasil, por enquanto, não tenho conhecimento deste tipo de falsificação; porém, em Curitiba, parece-me que houve um caso em que uma pessoa foi presa vendendo notas falsas de R$ 50,00 por R$ 20,00. Parece-me que são corriqueiros os casos de desvio de dinheiro público, em que funcionários do governo superfaturam orçamentos e compras e colocam a diferença em seus próprios bolsos. Houve também o caso de fraude no exame da OAB, em que foi descoberto o vazamento da prova e 25 mil pessoas não puderam prestar o exame. Estes casos têm acontecido corriqueiramente, não só no Brasil, como também no Japão e em outros países. No Japão, em especial, o caso de suborno envolvendo o ex-vice-diretor-geral do Ministério da Defesa está em grande evidência. Pode se dizer que todos estes casos estão acontecendo devido à poeira da ambição dos seres humanos.

Nos Hinos Mikagura-uta, a palavra ambição aparece seis vezes:

Se observar o espírito das pessoas do mundo, encontro mesclada a ambição. Mik. IX-3

Se tiverem ambição, abandonem-na porque não e possível Deus aceitar. Mik. IX-4

Deus está dizendo que, aos seus olhos, no espírito das pessoas de todo o mundo, existe a ambição e pede para parar, pois, caso haja o espírito de ambição, não poderá aceitar. Ainda:

Embora não haja quem não tenha ambição, perante Deus, não existe ambição. Mik. V-4

Esqueçam por completo a ambição e determinem firmemente o espírito. Mik. VIII-4

Ensina ainda que, apesar de não existir quem não tenha ambição, estando perante Deus, este espírito de ambição desaparece. E, assim, esquecendo completamente o espírito de ambição, todos devem se erguer determinando firmemente o espírito. Ainda:

A ambição é lamaçal sem fim. Purifiquem o espírito inteiramente, é o paraíso. Mik. X-4

Ao hinokishin, esquecendo a ambição, isto se torna o primeiro fertilizante. Mik. XI-4

Assim, orienta que no espírito de ambição, não existe limite e é como a água lamacenta. Por isso, ensina que, purificando inteiramente o espírito, será o paraíso, ou seja, poderá se desfrutar a Vida Plena de Alegria. E o ato de praticar o hinokishin esquecendo o espírito de ambição será a semente para a felicidade.

A Oyassama orientou sobre o uso espiritual que não corresponde à intenção de Deus-Parens alegorizando-o como "poeiras espirituais". Advertiu-nos sobre o uso espiritual errado enumerando oito: mesquinhez, cobiça, ódio, amor-próprio, rancor, raiva, ambição e orgulho. E ainda ensinou: "detesto a mentira e a lisonja". Penso que a origem de todos estes dez usos espirituais é a ambição, a avidez.

Inicialmente, sobre o uso espiritual da "mesquinhez", é a atitude de mesquinhar esforço espiritual ou físico. A atitude de mesquinhar consideração ao próximo ou de mesquinhar movimentar-se voluntariamente para contentar as pessoas é devido ao espírito de avidez, de não querer sacrificar a si mesmo. Relutar em pagar os impostos ou o que precisa ser naturalmente pago é devido à avidez de que o seu dinheiro irá diminuir. Relutar em devolver algo que pegou emprestado dos outros também é devido ao espírito ávido, de que não há nada mais vantajoso do que usar de graça o que é de terceiros. Deixar as coisas desagradáveis para os outros, com o espírito de facilitar para si mesmo, é poeira da mesquinhez.

O uso espiritual da "cobiça" é desejar dinheiro negligenciando esforço, sem trabalhar suficientemente. Por exemplo: mesmo trabalhando por apenas cinco horas, se desejar um pagamento de dez horas, as cinco horas de diferença se tornarão poeiras. É também um espírito de avidez, de desejar até mesmo a parte que não trabalhou. O uso espiritual de querer vestir roupas ou comer coisas boas, não condizentes com a sua situação, também surgem do espírito de ambição. Ainda, em quaisquer aspectos, o espírito de desejar mais, mesmo já tendo; o espírito de desejar algo melhor, sem se satisfazer com o que lhe foi concedido, surgem do espírito de ambição.

O uso espiritual do "ódio" é tomar de má forma os conselhos e advertências e odiar as pessoas que os deram. Por ter o sentimento ávido, de que "eu não estou errado; eu estou certo" é que se pensa assim. Sogra e nora se odiarem mutuamente, falar mal pelas costas, criticar e ridicularizar também são poeiras do "ódio".

O uso espiritual do "amor-próprio" é aquele que não se importa com os outros se tudo estiver bem consigo mesmo. Devido ao amor pelo próprio filho, ser rigoroso com os outros ou os filhos dos outros, sendo conivente consigo ou com os próprios filhos é poeira do amor-próprio. Isto é causado pelo espírito de ambição, como discriminação e egocentrismo. Além disso, falar mal dos outros em benefício próprio também é poeira do "amor-próprio".

O uso espiritual do "rancor" é poeira quando há ressentimento de alguma pessoa por acreditar que ela feriu seu sentimento diante de outros ou por pensar que ela atrapalhou os seus anseios. É por existir o espírito de ambição que, também neste caso, tem-se rancor por muito tempo por algo que os outros disseram.

Nos Hinos Mikagura-uta há:

O sofrimento vem do próprio espírito, devem ter rancor de si mesmos. Mik. X-7

Assim, ter rancor dos outros, sem levar em consideração a própria falta de virtude, é poeira espiritual.

O uso espiritual da "raiva" é encolerizar-se dizendo que alguém falou mal de si ou que alguém foi contra o seu pensamento. Impor o seu pensamento, sem ouvir o que a outra pessoa tem a dizer, e zangar-se é poeira. Aqui também, sente-se raiva por ter o espírito egocêntrico da ambição.

O uso espiritual da "ambição" é o espírito ávido de ter mais que os outros, de tomar para si o quanto for possível. É ensinado que enganar a medida, ter lucro tapeando os outros, tomar para si o que é dos outros é ambição profunda. Perder-se por sexo é avidez sexual e deve se ter discrição e modéstia.

O uso espiritual do "orgulho" é ser presunçoso ou gabar-se mesmo não tendo capacidade. O espírito de tomar o poderio financeiro, a formação escolar ou a posição social para subjugar e humilhar as pessoas é poeira espiritual. Além disso, existem pessoas que ficam sempre procurando a falha dos outros ou que fingem saber aquilo que não sabem. Isto também é a poeira do orgulho e elas ficam assim pois no fundo existe o espírito de ambição, de que é melhor que os outros.

E, sobre dizer "mentira" e "lisonja", ou seja, dizer coisas que nem mesmo sente apenas para agradar outra pessoa, Deus-Parens nos adverte dizendo "detesto".

Os mais de 25 casos de falsificação descobertos no Japão, no ano passado, são atos de "mentira" e "lisonja", que enganam a população.

Na Escritura Ofudessaki, a palavra "mentira" aparece onze vezes e, em oito delas, são versos que dizem para "não ouvir como "mentira" o que Deus diz". As outras três vezes, são de versos que orientam rigorosamente para que os seres humanos não mintam.

Até agora, estive ouvindo quaisquer mentiras, mas, doravante, já não as ouvirei. Of. XII-111

Doravante, aquele que mentir se tornará também mentira. Estão cientes disso? Of. XII-112

Tsukihi detesta a mentira e a lisonja. Doravante, Tsukihi se retirará. Of. XII-113

Significa que até agora, mesmo que os seres humanos viessem falando coisas que não fossem verdadeiras, Deus veio permitindo pois ainda estavam no meio da caminhada para a maturidade. Porém, como a época para a maturidade já chegou, Deus não deixará mais passar facilmente, se estiverem dizendo mentiras sem fundamento. De agora em diante, se mentirem, até mesmo o trabalho do fogo, da água e do ar de Deus-Parens, que trabalha entrando nos corpos destas pessoas, se tornará mentira. É uma orientação bastante rigorosa.

Nas condições sociais da atualidade, se continuar praticando atos submersos na "ambição" e na "mentira", não poderemos saber quando o pesar e a ira de Deus-Parens aparecerão. O contrário de "mentira" e "falsidade" é "verdade ou sinceridade". Nós, que seguimos este Caminho, temos que ir ampliando o espírito de sinceridade ao mundo e fazendo com que a sociedade eleve este espírito. Penso que, cada yoboku, através da prática, precisa mostrar à sociedade que o espírito de sinceridade é que irá reconstruir corretamente o mundo.

Dentro do Okakissague, que ganhamos ao receber a Razão de Sazuke, em Jiba, é ensinado:

Digo diária e digo constante. Digo que o diário e constante é a sinceridade. Falando em espírito de sinceridade, visto superficialmente, parece muito frágil; porém, não há nada mais firme e duradouro. A sinceridade é a razão do céu. Como razão celestial, receber e retribuir imediatamente é uma verdade Que ouças e compreenda bem.

Está nos ensinando que o espírito de sinceridade, honesto, sem mentira ou falsidade, pode parecer fraco; porém, não há nada mais firme e duradouro do que a sinceridade. E que, se for sinceridade, Deus-Parens aceitará e retribuirá imediatamente como graça de proteção Ainda no Okakissague, é ensinado:

Se há a sinceridade no espírito de cada um, individualmente, então, estabelecer-se-á uma verdade, a harmonia perfeita nas relações entre os teus. Bem, o mundo apreciará isso com grande admiração.

Significa que, se houver a sinceridade no espírito de cada um, a família se estabelecerá harmoniosamente e as pessoas da sociedade se convencerão admiradas.

Nós, que ouvimos o ensinamento de Oyassama antes é que devemos limpar inicialmente as poeiras espirituais e, empenhado-nos em busca da maturidade espiritual, penso que seja importante nos esforçarmos para que a sociedade onde vivemos vá melhorando.

Mudando de assunto, este será o ano de início das atividades de três anos - mil dias rumo aos 60 Anos de Fundação da Sede Missionária Dendotyo. Tomando cada dez anos como um marco, os mestres predecessores vieram caminhando rumo à maturidade visando as cerimônias comemorativas de fundação. Herdando seus espíritos, gostaria de me dedicar juntamente com todos para receber a graça do desenvolvimento do Caminho e do aprimoramento do conteúdo das igrejas e, além disso, para que o Caminho do Brasil se desenvolva por todas as gerações, gostaria de me dedicar nas atividades de três anos - mil dias em união espiritual, determinando o espírito, na formação dos sucessores.

As metas para as atividades da cerimônia comemorativa serão as mesmas de quando da comemoração dos 50 Anos de Fundação. Primeiro: Desenvolvimento do Caminho - locais de divulgação em todos os Estados brasileiros. Segundo: Aprimoramento do conteúdo das igrejas - duplicação dos servidores do Serviço em todas as igrejas. E, terceiro: Criação e educação dos sucessores -continuidade da fé da família. Ao invés de mudar as metas de atividade a cada vez que se realiza a Cerimônia Comemorativa, com o pensamento de enfatizar ainda mais estes grandes objetivos, decidi dar continuidade a estes três itens.

Graças ao empenho e à dedicação de todos, nestes dez anos, nasceu uma nova igreja no Estado do Amazonas e novas casas de divulgação nos Estados de Sergipe, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Roraima. Além disso, os Estados que não tinham locais de referência, como lares com o altar consagrado, que eram oito; agora, são três: Tocantins, Paraíba e Amapá. Desejo que os jovens yobokus, arakitoryo, nascidos e crescidos no Brasil, animem-se no missionamento nos Estados que ainda não conhecem o ensinamento.

Sobre o segundo item, que é duplicação dos servidores do Serviço, todos já devem estar cientes de que o "Serviço" da cerimônia realizada mensalmente nas respectivas igrejas é de suma importância nas suas atividades. Nos dez anos, de 1997 até 2006, nasceram 1325 novos yoboku. Para que estes novos yoboku possam se dedicar como servidores do Serviço nas igrejas e casas de divulgação a que pertencem, solicito a dedicação dos condutores neste sentido. Desejo também que as pessoas que regressaram a Jiba e tornaram-se yoboku, tivessem a consciência de que, caso não reverenciem a cerimônia mensal da igreja e sirvam nela, não se pode animar Deus-Parens e Oyassama e não há como se desculpar com eles. Nas igrejas, não basta que apenas os condutores se dediquem. É na dedicação animada de todos os yookus e fiéis ligados à igreja que pode se mostrar o verdadeiro valor como local modelo da Vida Plena de Alegria.

Sobre o terceiro item, a continuidade da fé da família, desde os 50 Anos de Fundação, não há nenhum caso de trazerem o símbolo divino de volta à Sede Missionária. Não sei como está nas igrejas, mas não tenho ouvido sobre casos assim. Os avós ou os pais vieram crendo em Deus-Parens e Oyassama e, devido à alegria da fé, consagraram o símbolo divino no altar de suas casas. Existe este dia original. Por isso, é importante empenhar-se firmemente para que esta fé seja herdada pelos filhos e netos. Para isso, é preciso que todos que se encaixam nos requisitos, prestem o Curso dos Sucessores, a ser realizado na Sede Missionária, nos dias 21 e 22 de março. Orientar para que participem ativamente das atividades das Associações Infanto-Juvenil, dos Estudantes, dos Moços e do Departamento das Moças é um ponto imprescindível na formação dos sucessores.

Por fim, como todos já sabem, este é o ano do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Já está definido que a Banda de Koteki da Associação Infanto-Juvenil - Divisão Brasil participará do desfile, que fará parte das atrações comemorativas do Centenário. Além disso, a Tenrikyo convidou o Rev. Kazuo Murakami, professor emérito da Universidade Tsukuba e famoso pesquisador de estudos genéticos. O reverendo fará palestras nas cidades de Bauru, Londrina, Maringá, São Paulo e Mogi das Cruzes.

Gostaria que os yoboku e fiéis não deixassem passar esta oportunidade e transformassem esta palestra num apoio para a divulgação e a salvação, convidando um grande número de pessoas. Além disso, caso haja solicitações para o hinokishin, das comissões para o Centenário nas respectivas localidades, peço para que cooperem ativamente das atividades. Assim, encerro a palestra de hoje.

Muito obrigado pela atenção dispensada.

 
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