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Há exatos 170 anos atrás, no dia 26 de outubro de 1838, Deus-Parens, Tenri-Ô-no-Mikoto, incorporou-se em Miki Nakayama, tomando-a como sacrário, e esclareceu toda a verdade a respeito deste mundo. Devido à predestinação da alma de Oyassama, à predestinação de Jiba e da Residência, e também à razão do tempo predeterminado, Deus-Parens revelou-se e esclareceu a intenção divina. Por isso, pode-se dizer que esta é tipicamente uma religião revelada.
Religiões reveladas são aquelas que começam a partir de um Deus invisível e onipotente. As religiões semitas, ou seja, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo são exemplos de religiões reveladas, no entanto, as através de intermediários, não diretamente. No Judaísmo foram os profetas; no Cristianismo é dito que o Espírito Santo desceu do céu na forma de uma pomba e transmitiu o pensamento de Deus a Jesus; no Islamismo, o anjo Gabriel transmitiu a revelação do Deus Alá a Maomé. Entretanto, na Tenrikyo revelação foi diretamente de Deus, e pensando apenas neste aspecto, verificamos o quão gratificante e maravilhoso é o nosso Caminho.
Hoje, como temos um grande número de membros da Associação dos Moços reverenciando, gostaria de falar um pouco sobre essa Associação.
A Associação dos Moços foi fundada em 1918, com o objetivo de auxiliar na expansão da Tenrikyo pelo mundo.
Quando se dirigirem para montanhas adentro,
levem o mestre madeireiro. HS XII-8
Mestre madeireiro, Arakitoryo, é aquele que com o machado, desbrava montanhas e matas virgens ainda não exploradas. No plano externo, é o missionário que busca desenvolver os locais e pessoas que ainda não conhecem a Tenrikyo. No plano íntimo, é desenvolver os aspectos ainda não cultivados da fé de seu próprio espírito. Este é o ideal e a missão dos moços de Tenri.
A Sede da Associação dos Moços ostenta como lemas:
• Vamos nos dedicar sinceramente à alegria da salvação e liderar a salvação mundial.
• Vamos plantar a semente da sinceridade em Jiba e receber a proteção do Parens.
• Vamos passar o dia-a-dia com espírito que contente Oyassama, seguindo a sua vida-modelo.
Há 40 anos também estava entusiasmado em cumprir as disposições do Arakitoryo. E, algo que me marcou profundamente e ainda hoje persiste, foi a preleção do Shimbashira II na 43ª Assembléia Geral, em abril de 1967, ano do seu retornamento. Nesta última instrução dada aos moços, o Shimbashira II fez um manifesto para que os jovens de Tenri atravessassem o mar para o missionamento.
E passados exatos 30 anos, na 73ª Assembléia Geral, em 1997, o Shimbashira anterior fez sua última instrução à Associação dos Moços, na qual explanou que é muito importante que as pessoas que seguem este Caminho se dediquem a qualquer coisa, a qualquer hora, com postura de Hinokishin. Ainda, falou da disposição espiritual que devem ter as pessoas que pretendem fazer o missionamento no exterior.
Assim, tanto o Shimbashira II, quanto o Shimbashira anterior depositaram uma grande esperança e também um caloroso amor parental sobre as pessoas que aspiram ao missionamento no exterior.
Ainda, na 74ª Assembléia Geral, o Shimbashira atual explanou a respeito da postura básica nas atividades da Associação dos Moços e do missionamento no exterior, sendo importante para desbravar terras virgens, o sentimento de ir para toda a vida.
Dentre os senhores aqui presentes, existem pessoas, ou cujos pais, avós ou mestres espirituais, que vieram do Japão para missionar no Brasil, entusiasmados com a disposição como Arakitoryo.
No Caminho, muitas vezes falamos de “missionamento para o mundo”. Por “mundo”, muitas pessoas entendem apenas o mundo geográfico, mas nas Escrituras Divinas, existem dois significados para “mundo”. O mundo geográfico e o mundo das pessoas comuns que ainda não conhecem a intenção de Deus. O Arakitoryo deve encarar esses dois “mundos” de frente, desenvolvendo a divulgação e a salvação em todos os cantos do mundo.
O ensinamento de Oyassama é sem dúvida o ensinamento que encaminhará todas as pessoas para a vida plena de alegria. Devemos fixar esse fato no espírito e divulgar orgulhosamente o ensinamento de Oyassama à sociedade brasileira.
Agora, vou falar dos pontos maravilhosos deste Caminho.
O primeiro ponto é o fato deste Caminho ter sido iniciado a partir de uma revelação direta de Deus-Parens, conforme já comentado.
Segundo, é o fato de termos no Caminho as escrituras originais escritas diretamente por Oyassama. Os Hinos Sagrados originais foram perdidos, mas como Oyassama passou longos anos ensinando o Serviço, pode-se considerar os Hinos Sagrados como escritas diretas. As Indicações Divinas foram as palavras expressas pelo Honseki, o qual, durante 20 anos, transmitiu as revelações de Deus-Parens em substituição a Oyassama, após o seu ocultamento físico. Não existe outra religião em que as revelações divinas tenham durado 70 anos.
O Cristianismo tem o Novo Testamento como livro sagrado, definido no Concílio de Cartago, no ano 397dC, baseando-se no Velho Testamento e em vários textos em que Jesus confessou-se como o salvador. O Novo Testamento é o único documento que mostra a trajetória da vida de Jesus e foi escrita por Matheus, Marcos, Lucas e João. No entanto, eles nunca se encontraram com Jesus em vida, ou seja, os ensinamentos não foram diretos, apenas resumiram as histórias transmitidas de pessoa para pessoa.
O Islamismo tem o Alcorão como os registros das revelações de Alá. Entretanto, o fundador Maomé não sabia ler e escrever. Os discípulos é que registraram as revelações de Deus transmitidas através do anjo Gabriel e editaram o Alcorão depois da morte de Maomé.
O Budismo tem cerca de 3.000 escrituras sagradas, todas escritas depois da morte de Buda. Assim, é difícil de saber quais delas são verdadeiramente as palavras de Buda.
Todas essas religiões datam de 2.000 a 3.000 anos atrás e é compreensível que não haja escritas diretas do fundador. Também, não há certeza de que seus ensinamentos foram realmente transmitidos pelo fundador. Pensando nisso, podemos dizer que o Caminho é realmente gratificante.
O terceiro ponto é que neste Caminho temos o ensinamento da criação dos seres humanos e do mundo. No mundo existem diversas lendas sobre a criação e nenhuma descreva a criação de forma concreta, com conteúdo rico e racional quanto a história da criação original.
Na história da criação original temos explicações sobre o ideal da criação, ou seja, com que objetivo foram criados os seres humanos e o mundo e para que. Ainda, a ordem de criação, como e quais as funções fisiológicas que lhe foram atribuídas. Também, o processo da criação e qual a teoria sobre o progresso e o desenvolvimento cultural e histórico.
A história da criação original é a explicação sobre a verdade do Serviço, que é o caminho para a salvação universal e pelo qual todas as pessoas poderão ser salvas. O Serviço é realizado em Jiba, local original da criação dos seres humanos, onde os trabalhos de Deus-Parens por ocasião da criação são expressos em movimentos das mãos. É ensinado que através dessa execução poderá obter a salvação de todas as coisas; é uma história sobre a criação que não existe em qualquer outro lugar do mundo.
Nos registros antigos da mitologia japonesa, temos histórias sobre a constituição das terras japonesas, mas não há história sobre a criação dos seres humanos. No Budismo, não há ensinamento sobre a criação.
De acordo com o primeiro capítulo da Gênesis do Novo Testamento, Deus levou seis dias para criar todas as coisas e descansou no sétimo dia. É a razão da semana ter sete dias e domingo ser o dia de descanso. No segundo capítulo, Deus moldou o ser humano de terra à sua própria imagem e semelhança, soprou suas narinas e deu vida a Adão, e está escrito que de uma das costelas de Adão, fez Eva. O mundo e os seres humanos foram criados num espaço relativamente curto de tempo e ainda, foram criados já adultos e amadurecidos. No sexto capítulo, há a história mitológica sobre a “Arca de Noé”, em que Deus arrepende-se de ter criado o homem e decide extinguir toda a vida da Terra. Ainda, na história do Éden, tentada pela serpente, Eva desobedeceu à ordem dada por Deus cometendo o pecado original. A partir daí, as mulheres passaram a ser olhadas com menosprezo e, no Cristianismo, em qualquer corrente, ainda hoje não se colocam mulheres no sacerdócio. Para salvar os seres humanos possuidores do pecado original é que Jesus foi crucificado, para compensar os pecados dos homens. Diz-se que todos os seres humanos são todos pecadores desde o momento em que nascem.
No Caminho, é ensinado que o ser humano foi criado para desfrutar a vida plena de alegria. E, a história da criação original tem conteúdo profundo e maravilhoso.
O quarto ponto é o fato de ter sido ensinado sobre o local sagrado, Jiba. Todas as religiões têm um local sagrado, normalmente, locais onde nasceu ou morreu o fundador, ou onde o ensinamento foi explanado. No nosso ensinamento, Jiba é o local sagrado da concepção do ser humano, no momento de sua criação. É a terra parental ou a terra natal de toda a humanidade. Ainda, a Jiba foi concedido o nome divino Tenri-Ô-no-Mikoto e é o local da residência de Deus-Parens. Ainda, em volta de Jiba, do Kanrodai, é realizado o Serviço das Máscaras para a salvação universal. Na Doutrina está escrito que Tenri-Ô-no-Mikoto, Oyassama e Jiba são uma única razão.
O quinto ponto refere ao cerimonial e à oração. Por mais excelente que seja a doutrina, não se pode chamar de religião sem um cerimonial. O cerimonial é basicamente para solicitar a providência divina, a salvação, e também para agradecer a Deus ou a Buda. O mais importante do nosso cerimonial é o Serviço. O Serviço realizado em volta de Jiba, do Kanrodai, visa representar a razão de Deus-Parens no momento da criação do mundo e dos seres humanos, e é algo nobre, sem igual em todo o mundo. Mais ainda, o Serviço foi ensinado diretamente por Oyassama, que passou longos anos ensinando os hinos, os movimentos das mãos e os instrumentos.
O mais importante do cerimonial cristão é a missa, e a santa comunhão no Protestantismo. A missa é uma celebração religiosa que visa atualizar o sacrifício de Jesus Cristo na cruz, representando a Última Ceia. É uma cerimônia remanescente das antigas civilizações do Oriente Médio, em que se oferenda o sangue de uma ovelha sacrificada, por exemplo, que visa amenizar a ira de Deus. O vinho representa o sangue derramado por Jesus na cruz e o pão representa a carne de Jesus.
No Budismo, os rituais diferem de acordo com a corrente, mas são realizados nos santuários onde estão consagrados o Buda, o Bodisattva (ser de sabedoria elevada) ou o Kannon (representa compaixão de todos os Budas). Existem cerimônias em que se queima gergelim em altares externos.
Tanto as missas do Cristianismo, bem como as budistas, não foram ensinadas pelos fundadores, mas criadas pelos seguidores em tempos posteriores.
O Serviço foi ensinado diretamente por Oyassama e não existe nada mais gratificante e maravilhoso. Existem pessoas que chamam a Cerimônia mensal da Tenrikyo de missa, mas são conteúdos totalmente diferentes. Por isso, gostaria que utilizassem o termo Cerimônia mensal.
Verificando os pontos importantes de uma religião, como a revelação, a doutrina, a criação, o local sagrado e o cerimonial, podemos sentir o quão maravilhoso e gratificante é o Caminho.
Agora, gostaria de falar sobre a diferença entre a Tenrikyo e o Xintoísmo.
Neste Caminho utilizamos os sacrários, as bandejas de oferenda, as cortinas de bambu que são os adereços mais ligados ao Xintoísmo. Por isso, muitas pessoas pensam que a Tenrikyo é uma corrente do Xintoísmo. O Xintoísmo é uma religião nacionalista; a Tenrikyo é mundial. O Xintoísmo é uma fé comunitária de uma família, de uma vila ou de um país; a Tenrikyo visa a salvação de toda a humanidade. O Xintoísmo é politeísta; a Tenrikyo é monoteísta, cultuando Deus-Parens, Tenri-Ô-no-Mikoto. É ensinado que Tenri-Ô-no-Mikoto, Oyassama e Jiba são uma única razão. No Xintoísmo não existe um fundador ou revelação. Há um cerimonial, mas não existe um ensinamento que sirva como base para a prática da vida humana. Existe a salvação da vida presente, mas não um ensinamento como o da reconstrução do mundo para a vida plena de alegria. Analisando apenas as comparações feitas acima, observamos que são ensinamentos completamente diferentes.
No Japão, o Xintoísmo está fortemente arraigado nos costumes como a veneração pela natureza e pelos antepassados, dada à visão que os japoneses têm da vida e da morte. Quando uma pessoa morre, ela não vai para muito longe, fica por perto e, por vezes, aparece neste mundo. Se os membros da família a consolam ou a cultuam, a alma se acalma. Se não for consolada nem cultuada, assombrar e pode causar infortúnios. Esse é o princípio da veneração pelos antepassados. Das novas religiões surgidas depois da era Meiji, a maioria se baseia nesse princípio. Ainda, no Brasil, ouço dizer do Espiritismo, que se originou da crença de religiões semitas de que o demônio ou os espíritos do mal podem vir para assombrar, amaldiçoar ou apegar-se às pessoas.
Oyassama disse que neste mundo não existem, de forma alguma, espíritos do mal ou maldições que se apeguem, assombrem ou que causem dificuldades ou infelicidade às pessoas. Oyassama nos libertou das superstições e dos medos que faziam as pessoas sofrerem por longo tempo. Foi ensinado que toda a responsabilidade está no uso espiritual do ser humano. A felicidade depende unicamente do uso da liberdade espiritual que foi concedida ao ser humano por Deus-Parens.
Por fim, gostaria de refletir a respeito dos grandes problemas que o mundo tem enfrentado, como a questão do meio-ambiente, os conflitos étnicos e a questão da paz. Nas religiões semitas é ensinado que Deus criou o ser humano e a natureza, porém, a natureza é para ser dominada pelo ser humano. No final do século XVIII, houve a revolução industrial na Europa em que, liderados pela Inglaterra, os trabalhos manuais foram sendo substituídos pelas máquinas. Os recursos naturais como o carvão e o petróleo passaram a ser usados como fonte de energia e a madeira foi sendo substituída pelo metal, pelo alumínio e pelos derivados de petróleo, mudando a vida e a sociedade. Isso continua até os dias atuais e vem causando a grande devastação da natureza. No Budismo, existe o ensinamento de que tudo o que existe é a essência de Buda e é dito que isso se traduz na proteção da natureza e do meio ambiente da devastação. No entanto, nos ensinamentos de Buda não existe nada a respeito do objetivo da criação do mundo, de sua finalidade. No Caminho, é ensinado que o mundo e os seres humanos foram criados para desfrutarem a vida plena de alegria. A natureza de forma alguma é algo que pode ser dominado ou devastado pelo ser humano. Isto porque este mundo é o corpo de Deus-Parens. Interferir na natureza para criar um ambiente mais fácil para se viver ou usar os recursos naturais de forma moderada é permitido como uma graça de Deus-Parens. No entanto, devastar a natureza, desperdiçando reservas devido à ganância humana ou pelo progresso desordenado, é como sujar ou danificar o corpo de Deus-Parens; no final, ficaremos sem receber as suas providências e graças. Penso que viver de forma humilde e moderada, coibindo o crescimento da ganância humana, é a forma de proteger a natureza e o meio ambiente da devastação.
Sobre os conflitos étnicos, neste ano tivemos o conflito entre a Geórgia e o estado independente da Ossétia do Sul. A começar por Israel e Palestina, temos conflitos étnicos que não cessam no Iraque, no Afeganistão, no Paquistão, etc. As religiões semitas têm a característica de dividir em grupos opostos, como os escolhidos por Deus e os não escolhidos, os amigos e os inimigos, etc. A guerra para eliminar os inimigos é considerada guerra santa, garantindo um lugar no paraíso. No Caminho, é ensinado que todos os seres humanos são iguais e foram educados de forma igual. Por isso, todos somos irmãos. Evoluindo espiritualmente, deixando de cometer esses erros, aos poucos o mundo vai ficando melhor. Oyassama nos ensinou a caminhar rumo à felicidade, salvando-se mutuamente.
Falando de paz no mundo, existem religiões que tratam os seguidores de outras religiões como pagãos ou hereges. Outras dizem que haverá um juízo final, do paraíso ou do inferno. Alguns até pregam a necessidade de ocorrer a Terceira Guerra.
Este mundo será um paraíso transbordante de vitalidade infinita quando os seres humanos compreenderem e fixarem corretamente a verdade do caminho no seu coração, esquecendo-se das vantagens e ambições, e trabalharem sinceramente à causa da salvação, auxiliando-se uns aos outros sob a proteção de Deus-Parens.
Tenham a certeza e o orgulho de que este é o derradeiro ensinamento que salvará todo o mundo.
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